Segurando na mão de Deus

Peço que feche os olhos por um minuto e mentalize a seguinte cena: você está num lugar lindo, numa bela paisagem. Aí há um caminho para um mirante, que possui uma vista magnífica de todo um vale. Chegando ao mirante, você se recosta na cerca de proteção com os braços, e admira a belíssima obra de Deus. No fundo deste vale há um rio, é um verdadeiro paraíso, você vê pássaros colorindo o céu, várias borboletas, sendo que uma delas passa logo a sua frente a cerca de proteção. Você estica seu braço para tocá-la e, de repente, a cerca de proteção cede, e você começa a cair do mirante. Na tentativa de se salvar, você agarra a primeira coisa que viu: um galho de árvore.
Agora abra os olhos e responda: Como você se segura a este galho? Faça o gesto, quero ver. Agora que sou pai, há cerca de dois meses, tenho aprendido muito com esta criança. Quando vamos dar banho nele (precisamos fazer isto em dois), minha esposa o lava e eu o seguro. Se eu não segurar firmemente suas mãos, ele começa a agitar os braços, procurando algo para se segurar, como se estivesse caindo do mirante. Quando vou colocá-lo ou tirá-lo da banheira, não posso segurar suas mãos, então ele procura algo e, geralmente, acaba agarrando na minha camisa ou no meu rosto.
Outra situação ocorre quando ele está com alguma dorzinha, cólica, etc. Não basta niná-lo, dizer que está tudo bem, é necessário pegar na sua mão (na verdade dar um dedo para ele pegar), para enfim ele se sentir seguro e descansar, pegar no sono.
Quando escreveu o salmo 56, Davi, que ainda não era rei, estava fugindo de Saul, que era rei e desabafava com Deus, dizendo o que está nos versos 1 e 2, 5 e 6. Que situação desesperadora! Ele tinha que fugir do ódio do rei de sua terra! Imagine o exército do país caçando você no meio do deserto? Qual a sua chance de escapar?
Nestas três situações (a queda da cerca de proteção, o bebê que se segura no pai e o exilado injustamente), qual a reação comum? O que se faz nas três situações?
Veja os versos 3 e 4, 10 e 11. Percebam que o galho pode segurar você por algum tempo, mas não vai tirá-lo do perigo. Da mesma forma, o pai acode a criança, dá segurança, mas não estarei todo o tempo com ela nos seus perigos. Davi, bom guerreiro, muito astuto (enganou o rei e o exército de Gate fingindo estar louco – 1º Samuel 21:10-15), não conseguiria fugir para sempre do exército.
Uma das músicas mais famosas no meio cristão (seja evangélico ou católico) é “Segura na mão de Deus”. Ela foi composta pelo Pastor Nelson Monteiro da Mota, no início da década de 1970, quando passava por grandes dificuldades no seu ministério no Estado de Pernambuco. Segundo seu testemunho, estava tão desanimado com o ministério, que já tinha até orado a Deus despedindo-se do serviço ao qual havia se disposto e para o qual acreditava que Deus o tinha chamado. Como resposta, Deus lhe disse que, se a jornada estava pesada e se a caminhada estava o cansando, ele devia segurar na Sua mão e ir, seguir. Com esta mensagem, ele sentou-se e compôs “Segura na mão de Deus”.
O que você tem feito quando as coisas não dão certo? Ou melhor, o que o inimigo tem lhe aconselhado nestes momentos? Se o casamento não vai bem, ele sugere um novo homem ou mulher? Se a vida está chata, um monte de bebidas, drogas e sexo sem compromisso? Se estudar não está fácil, o melhor é colar, comprar trabalhos e dar um jeitinho? Se o dinheiro está curto, é dar o calote e enganar a quem puder?
Há um ano, foi iniciado no Conjunto Novo Mundo, em Curitiba, este grupo de oração. Semanalmente, são feitos estudos da palavra, entoados louvores, e, principalmente, tem se clamado, tem se agradecido, tem se buscado a direção e a instrução de Deus. Houve alguns momentos de angústia, de tristeza, em que não havia mais saída. Mas, segurando na mão de Deus, somos resgatados pelo seu amor e pela sua misericórdia.
Convido você a uma escolha: você pode se decidir em segurar a mão de Deus, a buscar por intermédio de Jesus Cristo o resgate da queda do homem, ou a se segurar no seu galho, confiar na sua força e, no final, ser engolido pelo precipício, pelo desfiladeiro, que é o inferno. Não há outras alternativas. Não há atalhos. Cabe a você esta decisão.
Para o crente, viver segurando na mão de Deus é a certeza de que, passadas todas as ameaças e aflições deste mundo, estaremos com Ele desfrutando da vida plena do Reino dos Céus.
Leandro José Cavichiolo (membro da IBNM).








